Reforma Tributária exige transformação tecnológica imediata nas empresas, alerta especialista

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A Reforma Tributária brasileira, que entra em vigor a partir de 2026, representa a maior reestruturação do sistema fiscal em décadas. Mais do que simplificar e unificar tributos com a criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a mudança traz um desafio silencioso, mas urgente para as empresas: a modernização tecnológica, destaca Alessandra Almeida, diretora-geral da Avalara no Brasil e América Latina.

Segundo a especialista, o debate até aqui se concentrou em aspectos jurídicos e econômicos. Contudo, cresce entre líderes empresariais e de tecnologia a percepção de que o novo ambiente tributário exigirá processos fiscais totalmente digitais, em tempo real e altamente integrados com o governo.

“Os processos manuais e planilhas desconectadas que muitas empresas ainda utilizam não terão espaço no novo cenário. Eles serão substituídos por plataformas automatizadas, capazes de cruzar dados fiscais e transações comerciais com precisão. Agora, mais do que nunca, é dever das empresas otimizarem recursos e se prepararem para demandas como faturamento e escrituração em tempo real, além da integração a novos modelos fiscais”, afirma Alessandra.

Automação como pilar da nova era tributária

Com a simplificação fiscal proporcionada pela Reforma, será possível unificar plataformas de arrecadação, automatizar a apuração de impostos e ampliar a integração entre empresas e governos.

A necessidade de consolidar processos fiscais e financeiros torna a automatização ainda mais estratégica. Isso porque, segundo o novo modelo, o crédito tributário só poderá ser apropriado se houver o pagamento do tributo pelo fornecedor ou pelo adquirente. Ou seja, será indispensável o rastreamento em tempo real entre documento fiscal e dados de pagamento.

Colaboração entre sistemas federativos

Outro ponto crítico será a interação entre sistemas estaduais, municipais e federais. As empresas precisarão compartilhar dados sem interrupções, em uma infraestrutura comum.

Para Alessandra, essa demanda abre espaço para empresas de tecnologia:

“Soluções plug-and-play, escaláveis e especializadas terão papel central no novo ecossistema fiscal. Independentemente do porte, todas as empresas precisarão se adaptar rapidamente”, ressalta.

Um movimento de longo prazo

A especialista reforça que a adaptação requer visão estratégica, integração entre áreas fiscal, tecnologia e compliance, além da coragem de romper velhos paradigmas.

“Quem ainda enxerga o sistema tributário apenas como um mal necessário precisa mudar de perspectiva. Trata-se de uma oportunidade inédita de modernizar processos, reduzir riscos e gerar valor sustentável por meio da tecnologia”, destaca.

Embora a obrigatoriedade plena só ocorra em 2033, o processo de transição já começou em 2025. Para Alessandra, o momento é de agir:

“É fundamental que as empresas enderecem esse tema agora, escolhendo soluções tecnológicas adequadas aos seus processos e que estejam integradas às plataformas governamentais”, conclui.

A Reforma Tributária inaugura um novo capítulo no relacionamento entre empresas e governo, em que a tecnologia será a ponte para eficiência, transparência e competitividade. As empresas que começarem essa adaptação desde já não apenas reduzirão riscos, mas também conquistarão vantagem estratégica em um mercado cada vez mais regulado, conectado e digital.

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